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janeiro 27, 2012

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Escolha

Apesar do medo
escolho a ousadia.
Ao conforto das algemas, prefiro
a dura liberdade.
Vôo com meu par de asas tortas,
sem o tédio da comprovação.

Opto pela loucura, com um grão
de realidade:
meu ímpeto explode o ponto,
arqueia a linha, traça contornos
para os romper.

Desculpem, mas devo dizer:
eu quero o delírio.

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Lya Luft

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janeiro 27, 2012

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janeiro 27, 2012

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passado a limpo

Você sabe que eu fico sempre à espreita. Aguardando, pretensiosa, sua correspondência diária selada com um beijo, seu sorriso em envelope lacrado. Procuro por você em livros, jornais, revistas, entrevistas, letras de músicas, cartas, poemas, pôsteres, portais, outdoors, Outlook, Orkut, Facebook, MSN, Twitter, Google, blogs, em todos os papéis e spams. Você sabe que meus desejos, literalmente sem escrúpulos, subordinam sua liberdade de expressão. Eu atravesso seus canais de comunicação. Ilicitamente, visito seus amigos, vasculho sua agenda, seus contratos, seu currículo, sua ficha catalográfica. Você percebe que eu reviro seu vocabulário, sabe que violo seus capítulos, rasgo o verbo que dialoga com a primeira pessoa da sua antologia. Abro mão da ética e, sem habilidade, manipulo suas frases feitas e deixo minhas impressões digitadas em suas páginas. Você releva minha incompetência prosaica, a superficialidade do meu discurso, a desclassificação dos meus gêneros textuais, meu impetuoso hábito de tirar seu foco narrativo do meu ponto de vista. Você sabe que suas locuções intransitivas e transitórias produzem orações intransigentes e excitam minha inquisição sintática. Por isso, contesto o contexto dos seus vícios de linguagem, cometo plágio, imito seu estilo e reordeno seus predicados. Eu arquiteto planos para seus projetos e me protejo em seus rascunhos. Mas você conhece a limitação da minha verve. Sabe que eu me inspiro em você, aspiro as ideias que você defende, depois conspiro e, sozinha, piro. Então, eu conjeturo estruturas poeticamente viáveis para sua insegurança estilística e engravido das palavras que você cria. Seus neologismos apenas acentuam as intrigas que você compila. Eu reconsidero sua narrativa e gero minhas próprias expectativas. Busco, nos seus argumentos, o lugar-comum em que eu caiba sem legendas nem tradução. Incorporo eruditos clichês e me adapto ao seu roteiro original. Figuro entre seus devaneios coadjuvantes, enceno a megera que extirpa sua imagem de herói. Represento a fada inconsequente do seu storyboard. Eu reinvento nossos dramas. Você sabe que minha falta de imaginação não condiz com o desenlace desse romance. Eu me intrometo em todas as interrogações do happy end que você excluiu. O parágrafo em que o felizes-para-sempre é tangível mesmo que não haja mais história. Mas você finge não entender minha proposição e profere o inexorável ponto-final. No entanto, eu resgato as lembranças empoeiradas das entrelinhas que se demoraram em silêncio e reescrevo a versão mais bem-sucedida do nosso epílogo. A enunciação de uma cumplicidade que planeja desfechos mais plausíveis para essa novela. Você sabe que eu edito suas emoções, corto da epígrafe fragmentos que você publica para uma anônima musa, sem dedicatória. Meu ciúme capitular ultrapassa as margens da sua folha de rosto e eu me embaraço nos traços das personagens boçais que você esboça. Eu ressuscito fantasmas da sua biografia. Subverto a moral da sua fábula… Perco a noção do tempo e estabeleço outras demoras fora de hora. Você sabe que me enredo no enredo que você tece. Engendro episódios surreais para as mil e tantas cenas de suspense dos contos que você fantasia. Misturo o vermelho da minha veia poética ao negrume do seu filme de terror, e você até sente o arrepio que me tira a concentração enquanto acordada eu sonho estar no primeiro ato da tragédia que você anuncia. Você sabe que eu sempre volto e retorno ao círculo vicioso do nosso duelo pré-textual e, com sorte, viro o jogo e roubo-lhe o mote. E discorro sobre sua textura bruta, a pedra implacável que você guarda com cuidado no subterfúgio do seu narrador inconsciente. Você sabe que eu censuro os termos chulos do seu ensaio. Julgo seus sujeitos mal conjugados e condeno a inverossimilhança dos seus atos. Por fim, me prostro diante dos sentidos subliminares da sua alegoria.

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sandra regina de souza
sandra regina de souza
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janeiro 23, 2012

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Tem um cisco
No meu poema
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À espera de um
Sopro de rimas
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marina rabelo
 
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janeiro 19, 2012

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Viver é melhor que sonhar… ♪♫♪♫

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janeiro 18, 2012

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Vela leva a seta tesa
Rema na maré
Rima mira a terça certa
E zera a reza
Zera a reza, meu amor
Canta o pagode do nosso viver
Que a gente pode entre dor e prazer
Pagar pra ver o que pode
E o que não pode ser
A pureza desse amor
Espalha espelhos pelo carnaval
E cada cara e corpo é desigual
Sabe o que é bom e o que é mau
Chão é céu E é seu e meu
E eu sou quem não morre nunca
Vela leva a seta tesa
Rema na maré
Rima mira a terça certa
E zera a reza
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Caetano Veloso
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janeiro 17, 2012

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Quando

Plantei uma alegria no futuro.
Fui lá e dei uma mordida.
Tinha sabor de agora.

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ilana reznik

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janeiro 17, 2012

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dezembro 23, 2011

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Fui

Feliz Natal e um ótimo ano novo.
E um pouco de poesia. Quem sabe.

Beijos.

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dezembro 13, 2011

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Impulso

De súbito
como um susto
inescrupuloso
me vem como um gozo
o desejo
de beijar seu corpo
me colar em sua boca
e apenas ser sua…
ser apenas sua…
ser sua apenas
em todos os poemas

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sandra regina de souza

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dezembro 12, 2011

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dezembro 8, 2011

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 Como vai você  . . .  ♫♪♪♪.

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dezembro 8, 2011

@ home!

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dezembro 1, 2011

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Adeus

Você foi a alegria
hoje é a minha solidão

Farta de ausência sua
eu paro, pisco e pulo.

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Julia Duarte

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novembro 30, 2011

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te amo no meio da tarde no tempo errado

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Juliana Gola

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novembro 29, 2011

 

 

 ♫ Parabéns prá você, nesta data, querido. ♫♪♪♪

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novembro 27, 2011

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novembro 27, 2011

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Quando você não veio

Pulamos a página quando tínhamos um mundo de amores guardado no peito.  O riso, o rosto, o corpo, a mão. Tínhamos amor e uma saudade recente. Tínhamos quase tudo, mas você não veio. Por acaso ou desencontro. Por uma presença à toa fazendo demora no tempo: você não veio. Por alguma razão maior que eu, não tínhamos você. Numa memória, num abraço, em um novo laço. Nos planos, nos sonhos, nos dias felizes: você foi só ausência. Tínhamos quase tudo. Não arrisco um esquecimento pelo silêncio, pela cama arrumada, pelo coração vazio nem pelo amor que não tenho. Mas por respeito, arranco as páginas pelo tempo roubado, pela cor dos meus lábios, intactos, pelo excesso do gosto bom que só agora corre pelo corpo. Esqueço cada grito, por cada silêncio desvendado. Subtraio nos seus excessos. Tenho que deixar acontecer, rolar, desenrolar. Arranco a página pela eternidade que não foi vivida. No teu sempre que não é agora, o meu futuro nasceu pra se perder do seu. 
 
Pelo o que poderia ter sido só ontem ou só hoje e ainda assim seria eterno: construo amores possíveis.  
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Priscila Rôde
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novembro 24, 2011

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soluços e cabelos curtos

você não devia
curar meus soluços sem sustos
não devia desarrumar assim os meus cabelos curtos
você não devia
roubar meus instantes
nas suas fotografias
capturar meus sorrisos, meus olhos fechados,
e as minhas covinhas mais distraídas…
você não devia me tornar poesia.
não devia me beijar como se fosse pressa
e me deixar sozinha.
você não devia me deixar sozinha
com meus soluços e cabelos curtos
sem foco, a luz estourada,
os óculos escuros
você não tem pressa
eu também tenho medo
você congela as minhas urgências
como uma fotografia
como se o meu desejo fosse foto
você me paralisa.
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mas eu vou fugir, sabe?
já tenho tudo planejado.
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vou fugir com seus beijos
para um lugar sem gente nem paisagem
passado ou futuro
suspenso e secreto
- você devia fugir comigo.
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beatriz provasi

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novembro 21, 2011

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para os dias azuis

Respirar a sua presença, apesar de você não estar, mas ser em mim e do meu lado (de dentro). às vezes é preciso apenas respirar. As palavras dançam uma música constante e silenciosa, se embaraçam em nós. Palavras são volúveis demais para o meu amor perene e longínquo. você está em todos os rastros, em todos os passos, você está em cada verbo que calo. Conjugo meus pensamentos no seu imperativo modo. Oculto sujeito. Verso sobre versos que não fiz… Tudo brilha em mim se é você.
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sandra regina de souza
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novembro 19, 2011

 

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normalmente

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Eu só sei

que esse normal mente.

(E mente mal!)

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rayanne

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novembro 19, 2011

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Oh, Darling

Tuas verdades as vezes aparecem em detalhes que sempre que já nem me lembro, lembras pra mim, mesmo que não saibas. E assim, encontro fotos antigas, pedacinhos de rolhas de vinho, bilhetes sem assinatura e brilhos que outrora foram firmes, faróis. Guardo tudo na gaveta debaixo do aparelho de som onde escuto sem parar “stand by me” em uma versão que sei, não conheces e tem gaitas de boca e senhoras cantando e aceito a contradança do cavalheiro de camiseta azul. Chove sem parar, canto “parabéns, saúde, felicidade” para meu pai ao telefone e escuto ele chorar baixo. Os cacos compuseram um mosaico tão bonito e, como bem disse a muito amiga, me reconheço neles. Sorrio muito, apesar de. E and the moon is the only light we’ll see.

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cristiane lisbôa

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novembro 18, 2011

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amor de mascara, carn(av)al

I probably still adore you
With your hand around my neck
Or I did last time I checked

(505 – arctic monkeys) ouvir

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Meu velho gosto musical enferrujou com toda essa maresia. Ainda pergunto todo dia, porque a multidão me deixou solitária assim? Eu larguei tanta poesia por todas as verdades que eu jurava que fossem mentiras, mas elas desalinharam toda minha convicção. Testei uma a uma as possíveis derrotas para acreditar que vencer era a melhor alternativa. Eu me iludi tantas vezes que me entendia, que o jogo era óbvio demais para minha sede de complexidade e desespero. Esperei algo dar errado que de tanto, tola e impaciente, fiz com minhas próprias mãos meu fim do túnel. Meu fiasco é rouco demais para minha alma desonrada. Na minha casa não entra mais nada que tenha álcool a não ser nos sábados que inicio uma nova sorte. Estreio um novo amor, uma nova roupa, uma vida a mais na minha coletânea de tantas que já deram errado. Volto ao começo todo dia para consertar o que não tem reparo. Paro, às vezes, tentando acertar o passo porque fui um frevo de carnaval sem sombrinha, colombina sem par, valsa clássica com parceiro invisível. Não existe mais meio-termo, meia palavra, meio milagre, meia verdade. Meia noite e é tão típica a cena estou num bar ouvindo um rock esperando alguém para me salvar. Espera-se que de súbito eu ainda lhe receba com um sorriso, mas não há mais nada para levar de mim fora isso. Fiz tanto o tipo de que era daquelas de mandar flores, telefonemas, cartas, presentes, coração pulsando dentro de uma caixa com uma fita cor de rosa. Mas cansei de fingir que sou o amor que nunca fui. Esse amor exacerbado, encenado, dilatado. Vai, confia em mim que eu gosto de dilacerar as almas alheias. Em menos de duas doses enlouqueço sua mente sã em razão das minhas ironias desvairadas só para jogar fogo na sua vida e chorar com sua partida. Eu não sou fácil, não sou simples, não sou verso, comida mastigada, violão de uma corda só. Fui aprender que, longe do que eu achava, sou o violino no meio da orquestra, a idéia que divaga uma terça feira ociosa, o pretérito que nunca ninguém soube conjugar por falta de coragem para começar. Sou essa ardência latente na memória de quem ousou lembrar. De simples e súbito, eu me tornei a maior mágoa dos que me guardaram pra si, e a maior felicidade para os que souberam amar. Sou sim, o que eu nunca vou entender e conseguir te explicar. Mas tenta me esquecer para vê se você consegue que eu faço reza forte e juro purpurina até a morte, se você for o meu amor.

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Beatriz Marques

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novembro 17, 2011

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Solidão

Do vento mais antigo um gosto de chuva viva.
Acidez
na saliva do tempo.
Meus pés: um rumo,
muitos intentos.
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Quantos pulos para ser feliz?
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Do vento mais antigo
esta cicatriz de pouco aprendizado.
0 gosto, o cheiro, a rua,
O fruto nacarado.
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O muro alto
O sem sentido
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Tudo sempre no passado
Tudo sempre indo!
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lázara papandrea
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novembro 16, 2011

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na beira da janela

pensando nos dias cinzas
acabo por colorir-los
e a descobrir nas cores
que o irreal é muito,
muito mais que quase.

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andre luiz

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novembro 16, 2011

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Palavra

Preciso escrever
diversas linhas
meio verso
alguma palavra
com ou
sem
vírgula.
Sempre tive horror aos silêncios
mentais
a páginas em
branco
canetas sem carga
lápis sem ponta
impressora sem tinta.

Não é possível não dizer.
Preciso
de todo um alfabeto.

E não me proíba a repetição
a repetição
a repetição.
E não me faça
se-pa-rar
as sílabas.

Quero tudo por inteiro.
Até a frase que ainda não veio.

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claudia schroeder

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novembro 16, 2011

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856 passos.

Contados. Dou voltas em meu próprio eixo. Multiplico pensamentos, entre quatro paredes. Volume ao máximo e todas as músicas gritam o seu nome. Os meus CD´s não são mais possíveis, nem os meus livros, nem os meus filmes, nem os meus dias. Tudo é tão cheio da sua presença, que não sobra mais nada. Só um vazio tão profundo, que podia cair eternamente, sem chegar nunca a lugar nenhum.

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Briza

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novembro 12, 2011

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Outra cama.

É tudo tão confortável
— esse fazer amor,
esse dormir juntos,
a suave delicadeza…

[Bukowski]
                                                                                                                                          
Eu ficava ali, dançando. Como se não existisse tempo, olhos ao redor. Eu só ficava ali, dançando. Três horas da manhã, as pessoas todas em bandos, falando alto, sorrindo muito, jogando fumaça pra cima, música ruim, alguém enchendo meu copo, alguém recitando poesia, vários rodopios, uma garrafa quebrada, todo mundo se atrevendo. Eu me desfazia e dançava entre cometas, bêbados e vagabundagem.
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Me desesperei quando ele entrou e sentou-se sozinho no fundo do bar. Acendeu um cigarro, virou uma dose e o mundo se resumia então àquele momento. Tentava pegar seus olhos, inventar um motivo para me aproximar, dizer alguma frase decorada, fingir que acreditava em qualquer coisa que ele dissesse e atuar em relação a todo esse lance atrativo entre o que se pensa e o que se diz. Quem sabe ele se comovesse ao notar minha maquiagem suja e borrada, minha boca vermelha, meus olhos mendigos.
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As coisas foram se desprendendo de mim. Ele me ofereceu uma bebida e deixei claro meu desejo. Guardava em sua pose a esperança bonita daqueles que não se escondem. Nossos sentimentos foram abafados pelo arrastar de mesas e cadeiras e novos corpos que se juntavam àquela multidão. Muita coisa sobressaltava, todos se entendiam, abraçavam a loucura abstrata do instante e se desvinculavam de tudo o que ousasse ser humano. Éramos além.
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Mais uma dança, a bebida caindo do copo, suas mãos passeando em mim de cima a baixo, rascunhando como que num último retoque todo o meu corpo. Eu seria dele ali mesmo, naquele instante, debaixo de toda a provocação que estava sendo entregue. Me beijou num misto de fúria, drama, comoção, exagero, furtando toda a história pervertida que até então estava sendo guardada em minha língua. Aquelas luzes, aquela sensação de sermos inflamáveis, uma explosão conjunta prestes a acontecer. Já estávamos à beira. Eu despencaria fácil.
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Tocava minhas pernas, firmava meus quadris, lambia meus lábios, mordia as pontas dos meus dedos, recitava sacanagens, ia me amarrando nele, assim, como se houvesse espaço para nós dois debaixo daquela jaqueta preta. Afoguei minha intensidade em seus braços e permiti, repetindo muitas vezes, que ele poderia ultrapassar. Que toda aquela pinta de imensidão dava acesso ao que era muito raso. Ele poderia ultrapassar, poderia ler minhas histórias, poderia zombar da minha cara de quem acredita em romances, poderia me deixar seriamente emocionada. Ele poderia ousar, montar suas putarias em meu pescoço e me fazer desamarrar todas as letras desordenadas que nunca foram ditas a ninguém. Que ele viesse. Que eu fosse.
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Me puxou pelas mãos e eu apenas segui, sem saber o caminho. Sem querer saber o caminho. Esbarrei em toda aquela gente, nas gargalhadas que ao tocar meu rosto me faziam sorrir, nos cheiros doidos de coisas que floresciam e iam se impregnando em minha pele, derrubei uma cadeira, traguei um cigarro que outra mão segurava e ouvi a porta batendo atrás de mim, enquanto atravessávamos a rua, correndo. Ele amassava minha mão, meu coração.
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Caminhamos até a estação de metrô mais próxima, pegamos o primeiro destino, sentamos e ficamos olhando um para o outro enquanto o céu era inteiro feito de labaredas. As cadeiras vazias, os fantasmas a observar nossa mudez. Todo aquele silêncio me enchia de palavras. Descemos e fomos andando até meu apartamento. Indecências no elevador, convites para trepar na escada, sussurros para não acordar os vizinhos e um passo de tango mal feito no meio do corredor.
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Conheceu meu corpo como se nada fosse novidade, como se ele próprio tivesse moldado todos os detalhes naquela manhã que nascia. Seu peso era o peso que eu nasci para medir. Enquanto ele afastava numa carícia os cabelos que caiam em meu rosto, meu queixo se apoiava em seu peito e não sabíamos se era melhor juntar ou separar tudo antes que alguma coisa se quebrasse. Levantei, amarrei as dúvidas junto com os cabelos e escrevi na parede com meu batom vermelho um verso que rasgou meu pulso e deixou muita coisa a mostra. O resto eu havia esquecido na mesa do bar.
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No chuveiro, a água deixou que escorressem as marcas do que foi feito. Ficamos abraçados e sua pele ia aquecendo minhas extremidades. Aquele rosto bonito, a fumaça, nossos pés, nossa volta para a cama, o chão molhado e a gente se olhando sabendo que seria a última vez. Gravando vozes, medindo os tons, identificando as cores, colocando pimenta, adiando a hora de ir embora. Queríamos chuva para passarmos o dia em cima do colchão vivendo de prazer, música, doce e conversas sobre coisa nenhuma.
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Nos olhamos de perto, lembramos nosso olhar de longe, olhava já com saudades, agarrava com as pernas, com os braços, com todos os movimentos. Mordia, arranhava, feria para fazer carinho, as palavras foram diminuindo e a porta bateu. Um morango explodiu em minha boca, pacote de souvenirs. Fiquei ali, dançando, numa violência sutil, como se não existisse tempo. Misturei tudo com fogo. Falaria de amor no próximo passo.
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Numa próxima cama.
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jaya magalhães viana
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novembro 12, 2011

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Nascer do Sol, Santos -SP

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novembro 12, 2011

 

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 ♫” vou deixar a rua me levar, ver a cidade se acender . . ” ♫♬♬♪♪

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