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outubro 31, 2009

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Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?
De que é que você brinca?
Que horas você volta?

Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?

Quem é essa voz?
Que assombração
Seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão?
Que horas você chega?

Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro
Deixou na minha cama?
Você, quando não dorme
Quem é que você chama?

Pra quem você tem olhos azuis
E com as manhãs remoça
E à noite, pra quem
Você é uma luz
Debaixo da porta?
No sonho de quem
Você vai e vem
Com os cabelos
Que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga
Que horas você volta?

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chico buarque

Um comentário

  1. No meu entendimento, o texto sem título, sugere um amor inseguro ou mal correspondido. Mas, afinal de contas, a vida é um mosaico de dúvidas quanto ao minuto seguinte. Só os poetas têm a capacidade de administrar esses conflitos, gerando páginas literárias com essa pérola do referido texto.
    Grato com os meus parabéns!
    Rufino Almeida – Belém, PA.
    (Fotografo, poeta, Escrritor e Triatleta).



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