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dezembro 10, 2012

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novembro 7, 2012

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Não se apresse não. Quando é amor mesmo, o eterno fica assim: ajustável. Veste bem o pensamento, aquece qualquer pé de tempo, se estica na beira da praia.

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Priscila Rôde

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novembro 6, 2012

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Estrada entre vírgulas

A cor do som que faz
Tua alma ficar em paz
Colore minha primavera
E a nuvem – gota de orvalho
Bagunça a imagem que entalho
Da vida que não me espera.

O vento sobre o cabelo
Sussurra sem qualquer zelo
Segredos do fim de tarde
Desnuda meu céu inteiro
Acende, tal qual braseiro
E em mim vira tempestade.

E a Lua, de sobressalto
Pergunta-me lá do alto
“Que vida queres viver? –
Ser rei de todo esse mundo
Almejar o poder a fundo
Ou basta sentir prazer?”

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Thuan Carvalho

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novembro 4, 2012

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novembro 3, 2012

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Do desencontro

por um instante curto e valioso acreditei ter ganhado um prêmio que sempre pensei merecer. busquei adjetivos que denominassem minha nova condição, fiz planos a médio prazo e sorri vitoriosa com meu encontro tão desejado. visualizei a confusão se afastando, as noites afoitas se despedindo e me aqueci com tão novo calor. assumi, então, que o esperava pronta e bem vestida, sabendo que em uma escura noite ele aconteceria e eu o reconheceria em meio a profusão de acontecimentos que vinha sendo minha rotina de pessoa que procura. já me imaginava coberta de razões, contente por ter sido atendida em meus desejos não confessados. comecei a me preparar para abandonar os gritos e a felicidade passageira a qual me entregava com prazer. sem arrependimentos pelo corpo, sem ter deixado nada para trás e tendo feito absolutamente tudo o que a mim coube, me percebi pronta e decorei um nome só que repetia sem parar por achar bonito e sonoro. me convenci sem maiores esforços a me deixar ser costurada, obstruindo minhas saídas e guardando em mim um rosto só, um único cheiro e motivo. estava decidido, meu amor finalmente exerceria sua função e eu seria adulta e feliz. fui fechando os cortes, dando fim aos restos, apagando mensagens e esquecendo segredos antigos – abrindo espaço para a novidade que eu havia abrigado. passei a desenhar corações no espelho embaçado do banheiro, escrevi seu nome com caneta azul em minha mão, fiz o desenho de seu cabelo em um papel branco que guardei debaixo do travesseiro pra poder dormir em segurança. não posso garantir que não inventei mais uma mentira ou imagem apenas pra passar o tempo enquanto não adormeço. não me conheço tanto assim, apenas me entrego aos riscos na intenção de encontrar algum conforto. o que existe de real é que optei por encurtar o caminho e me perdi, afastando qualquer promessa aconchegante. com o passar dos dias observei a destruição decadente de meus planos pueris. entendi que você nunca existiu em lugar algum além de dentro de mim, onde ficará até que eu mesma me perdoe e me liberte dos estragos. te guardo quente e não deixo ninguém manchar sua reputação, te defendo pelo que me trouxe. sinto-me tola por ter cometido o engano de acreditar em um novo e desejado incêndio, mas não troco esta dor pelo vazio de antes. o não-amor dói, mas doía mais quando eu desconfiava não ser capaz. talvez eu mereça essa gentileza pela metade. encontrei maneiras de viver de longe o amor que suspeitei. adaptei meu corpo e meu olhar, te espio em segredo e espero sem esperar realmente. na prática tudo está igual: a rua, as pessoas erradas, os exageros e a falta de finalidade das noites que sempre terminam. mas te escondi dentro de mim e bem baixinho converso com você e invento suas respostas que, invariavelmente, me fazem sorrir e viver mais. faço de conta que você saiu pra comprar os jornais do dia e se distraiu no caminho, e que há de voltar no meio de uma noite inesperada. o amor é uma violência que combina comigo, por isso nunca desisti de esperá-lo. eu quero o amor que mata.
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Ivana Debértolis
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novembro 3, 2012

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♫ Baby, baby, eu sei que é assim . . . ♪♫

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novembro 3, 2012

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No Espaço do Não- Limite

Ele me chamou para o jogo e eu não tinha a rainha. Ligou o som e se virou cantarolando pra mim: ‘Give me one reason to stay here and I’ll turn right back around’. Mal sabia que eu já estava outorgada e não via outro motivo, além disso já ser um motivo, para convencê-lo a ficar. Eu nada tinha a oferecer a não ser umas curvas arredondadas e escorregadias acompanhadas de algumas frases feitas. Apenas uma garota clichê com sorrisos prontos e músicas pop. Tudo que eu precisava naquele momento era que ele me desse uma experiência através dos riscos nas paredes e explosões não terroristas. Sem nomes, meu amor, detesto nomes, disse o Marlon Brando. Era dele o tabuleiro, mas não me negava a brincadeira e me cantava com ‘because I don’t want to leave you lonely’. Era esse o ponto. Quando levantei, ele já me tinha pelas mãos na cintura. O embalo era tão sísmico que me abalou em tremores não mensuráveis. De olhos fechados, eu não respondia mais por movimentos, atos ou roupas no chão. Sentia o balanço e o preenchimento de todo meu leave me lonely. A cabeça pendendo sobre nós no centro-limite em que um corpo ainda não era outro, embora já fôssemos apenas um no universo, não no coletivo e infinito, que também é mundo, mas naquele nosso, bem mais mundo que todos aos quais poderíamos pertencer. Perdemos o tempo do tempo. Enrolamos-nos no chão até que nosso mapa mundi fosse do meu ao dele em apenas um oceano de suor e vulcões-poros em plena erupção. Estava ali, no tapete, he’s reason to stay. Você consegue ver – ele disse – que onde me começo te termino e que não há mais espaço para ser você mesma em você? Não me saiu um sussurro sequer. Dizem que esse é o silêncio-sinal. Foi ali, bem ali, que percebi.
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Samantha Abreu
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novembro 2, 2012

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Venta,
sopra por aqui um cheiro de ontem
primavera mostra que é hoje,
vontade de encher de florzinhas
o emaranhado dos cabelos,
molhar de beijos a pele,
cantar no ouvido a mesma bossa,
que deixou na minha vida.
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leila silveira
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outubro 30, 2012

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outubro 30, 2012

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isso

não era amor. era pele. em cada encontro, um atropelo.
colisão de urgências. choque de boings em pleno voo. corpos em queda [quase] livre.
destroços.
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não, não era amor. nem pele, aquele bombardeio dentro.
dois destróiers com mísseis nos olhos. teleguiado momento. azul-afundamento.
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não era nada além. nada a quem. nada na onda-nave que impulsionava o vício.
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isso existiu por um ciclo. curto-circuito. abalo sísmico. um não sei quê, com ímã.
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cio, cisma, ou nada disso, sei que mexia.
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movediço.
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valéria tarelho
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outubro 26, 2012

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♫ guarde segredo que te quero, e conte só os seus pra mim . . .♪♫•*♫

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outubro 19, 2012

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Mar Demais
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Meu corpo tem o peso
De muitas partidas.

Alma desancorada.
Janelas batidas no cais
Ausência à flor da pele
Afoita, aflita
Sonhando com poesia.

Meu corpo tem o encanto
De muitas águas
Traduzidas.

O tempo dos naufrágios
Envolvendo meus mares
Até que eu desembarque
Desse balanço interminável
Num mergulho possível.

Meu corpo tem o teor
De um amor que ondulou
E se quebrou, a um palmo
Dos meus sentidos.
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Priscila Rôde

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outubro 18, 2012

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aos poucos
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Eu quero que você me queira aos poucos
e devagar
e por partes
e assim, com pausas
pra eu poder respirar com meus pulmões.

Preciso que seja em pílulas
que as doses não sejam únicas
que você vá bebericando em pequenos goles
que me coma à francesa.

Eu queria que você me amasse que nem poesia:
uma linha abaixo
da outra
com suspiros
respiros
e pequenos segundos
sem pressa
de chegar
na última
linha.

Mas você só quer prosa
máquina do tempo
tudo em todas as horas.

Vem devagar
senão vou embora.
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claudia schroeder

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outubro 18, 2012

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outubro 17, 2012

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Num bar, fim de tarde

O que dizer dos teu olhos, interrogações em chamas, sóis que amanhecem juntos num país em festa, poças d’água onde encontro eu mesma. O que dizer da maneira com que te debruças sobre a mesa desrespeitando a distância regulamentar, invadindo meu espaço aéreo de segurança, me deixando indecisa entre a fuga desabalada e a súplica muda por um beijo. O que dizer de tuas mãos em volta do copo úmido, gotas escorrendo pela palma, teus dedos acariciando a borda marcada por teus lábios. O que dizer do teu joelho que toca displicente a minha coxa, e que afasto instintivamente buscando a carapaça do auto-controle. O que dizer do jeito que passas a mão nos cabelos que evoca a sensação deles entre meus dedos e dos meus nas tuas mãos. O que dizer… para que dizer? Do que era mesmo que estávamos falando?

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Ticcia

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outubro 11, 2012

 

chá de flor#amor

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outubro 10, 2012

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Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
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Sophia De Mello Breyner

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outubro 10, 2012

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Quem ajudou voce, a ficar com a pior versão da realidade?
Qual pessoa vive as impossibilidades dela, através da sua vida?
Quem ajuda voce, a desacreditar do que faz voce feliz ?
Quem faz voce se sentir um tolo, pelo que voce tem de mais puro?
Quem fita voce com contentamento, ao demonstrar o tamanho da sua fantasia?
Por que é mais fácil para voce, aceitar o que dizem as pessoas desiludidas?
Com os olhos de quem, voce passou a me ver?

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Angela Scott Bueno

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outubro 6, 2012

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outubro 4, 2012

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janelas

Da janela do carro, vejo muitas vidas que passo a imaginar. Invento para elas profissões, nomes, filhos e acasos. Legendo as falas e crio novos diálogos. O aparelho de som do carro faz a trilha sonora dos filmes que crio, com cortes rápidos e uma profusão de personagens.

Da janela de casa, a ilusão de segurança entra em mim, encontrando abertas todas as portas. Pela fresta entra um resto de medo e escapam alguns sonhos.

Do alto do arranha-céus, minha janela é observatório de formigas. Da janelinha do avião, anseio pela aterrissagem enquanto atravesso o mar de algodão. Nos quadradinhos do trem, a velocidade pinta quadros cor de paisagem.

Dos meus olhos, janela de mim, vejo um mundo que é só meu. Janelinhas mínimas para tudo ver. De vez em quando encontro outras janelas que só me veem a mim. Uma janela contempla a outra e dali podem vir relatos, abraços e convites para um café. Curiosas sobre as outras janelas, as nossas estão sempre enganadas.

Janela. Para o jardim da praça. Para a casa do vizinho. Para a alma do amigo. Para emoldurar a vida, criando romances de bobos fatos.

Janela de inventar histórias. Câmera que não enquadra: os objetos é que escolhem como se enquadrar. Janela de sonhar. Ou de jogar sonhos pela janela.

A TV é janela tecnológica. Mudo a paisagem constantemente – e não me contento com nenhuma delas. No computador, abre-se a janela para um mundo sem fim. Um país de maravilhas que nos aprisiona pequenos, angustiados como coelhos sempre atrasados. Fechamos o notebook, exaustos, para finalmente enxergar a simples janela de abrir.

Da janela pra fora, desejo de liberdade. Da janela pra dentro, a história do vizinho em quadrinhos.

As ideias que me vêm são janelas floridas. No papel viram portas. Entro para ver o que há.

Apaixonada, observo a janela do outro, que me dispara o coração e me atiça a curiosidade. Mas se sou eu a paixão do outro, do meu parapeito eu o assisto a me fazer serenata.

A vida é uma sequência de janelas e portas, janelas e portas, sonho e realidade.

Paixão é janela. Amor é porta. Decote e nudez. Namoro e casamento. Gravidez e filho. Preconceito e conceito. Janelas e portas, janelas e portas. O segredo é entrar e criar novas janelas, emoldurar outras cenas, fazer das verdades sonhos enjanelados.

Para que a vida, parede branca, tenha sempre novos quadros para contemplar.

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Cris Guerra

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outubro 1, 2012

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Das Palavras Importantes

Essa vontade
Essencialmente tola

De buscar o sentido das coisas

Preferindo não ver
Que sentido

Não se encontra
Se inventa

Sentido

É a palavra mais perigosa
De todas

Porque é uma palavra
Que nos abandona

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Everton Behenck

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setembro 22, 2012

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Abismo

E no fim, o que fica é uma
vontade de anular esse abismo
sem poupar mais um pouco de sorriso.
Por qualquer céu mais limpo
que ouse (re)pousar no ar:

recomeço,

que é pra ver se ele demora nos detalhes
pra ver se ele acorda n’outros mares
ver se ele carrega esses seus lugares
e esquece de ficar.

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Priscila Rôde

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setembro 19, 2012

cadê a frente fria pelamor?!

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setembro 19, 2012

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setembro 19, 2012

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Entregue ao vento

entregue
ao vento

qualquer coisa
que se possa
voar

pássaro
solto
a planar

planos
inclinados
a continuar

entregue
ao vento

felicidade
fugaz
e breve

um sopro
de vida
leve

e traga
de volta
teu alento
a encher meu peito

entregue
ao vento

que me arranque do chão
que me mande
então
pelos ares

que lance
minha barcaça
pelos
sete
setenta
ou mais
mares

que leve junto
a mensagem
posta em garrafas
de tantos bares

que me leve até
onde você está
que de outra forma não poderia alcançar

entregue
ao vento

pois
que leve
a tristeza

e que haja
leveza
que nos deixe
levar

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j.f. de souza

 

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setembro 19, 2012

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 Um vento, um tempo, um lugar. . .

Do vento mais antigo um gosto de chuva viva.
Acidez na saliva do tempo.
Meus pés: um rumo, muitos intentos.

Quantos pulos para ser feliz?

Do vento mais antigo
esta cicatriz de pouco aprendizado.
0 gosto, o cheiro, a rua,
O fruto nacarado.

O muro alto
O sem sentido

Tudo sempre no passado
Tudo sempre indo!
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lázara papandrea

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setembro 18, 2012

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Horizonte

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todo mundo
tem um ontem
tem um ente
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um outono
um instante
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um só poente
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para lembrar
ou enterrar
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valéria tarelho
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setembro 17, 2012

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sobre Paris, amor e Chico Buarque

Ninguém começa a escrever uma história sem saber o fim. Ninguém faz uma mala de lembranças sem saber o destino do coração. Ninguém joga na loteria sem saber das possibilidades da sua sorte. Ninguém chega a lugar nenhum sem dar o primeiro passo, seja direito, esquerdo, com azar ou dúvidas. Venho acumulando certezas das minhas teorias abarrotadas, certificando-me dos motivos para tanto irrealismo dessa minha imaginação malandra. O meio do caminho é o acaso, é a surpresa, o que muda nossos planos temporariamente e faz a gente crer na reviravolta do destino. Todo dia revejo como plano estratégico as mudanças irresistíveis ao sabor do vento dessa vida que tratei por tanto tempo a miúde. Já fui e voltei tantas vezes nesse caminho de mão única, sem ligar se ia me machucar por isso, se iria me sentir perdida, sem rumo, sem alguém para mim. Joguei o amor fora, voltei para a porta dele, sentei na calçada e fiz serenata. Abracei, dei tapas na cara – e quantos – fiquei de porre e disse que o odiava mais que tudo na vida. Bem que eu queria acreditar nas minhas palavras, mas nem isso consigo. Pode soar absurdamente estranho, mas minhas opiniões andam em círculos, meus sentimentos fazem montanha russa da minha lógica aplicada. “Sambar as letras de Chico Buarque é algo impossível para mim”. Repetia essa frase até mês passado, quando subitamente me afogava em goles de saudade, abraçava o mar que fazia companhia para os meus olhos na janela, lançava todas minhas certezas para o alto… Distorci irreparavelmente meu orgulho. Naquela tarde, naquele frio, daquele jeito que eu só conseguia dizer Tinha cá pra mim que agora sim eu vivia enfim o grande amor, Mentira¹ enquanto as lágrimas desprezavam o bom senso e bons modos. Eu não queria ser boa para mim, mesmo. Ah Chico, desculpe se ainda não tinha sentido isso que todos – suponho eu – que te aclamavam diziam sentir: amplitude da alma, companhia na multidão. Continuo divagando sobre o quanto a mesmice vem mudando. O que guardo na manga ainda de resposta para qualquer dúvida é que se comparasse o meu plano de futuro de um ano atrás com o de hoje, era melhor desistir de planejamentos e remexer todas as trilhas até chegar a um fim. Um café, muitos livros com cheiro de novos, uma sensação boa de mente fresca e Paris, por que não? Dizem que lá os amores são eternos, a estação é sempre primavera, a cidade é sempre Luz! Por que não acreditar? Digo, em algo eterno no fim de tantos desvios. Sei por onde começo, sei onde quero chegar. O que encontro até lá é que não dá pra precisar, mas digo, é sempre preciso ter um bocado de fé no bolso que o resto a gente carrega no sorriso.

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Beatriz Marques

¹ samba do grande amor – chico buarque

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setembro 13, 2012

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setembro 9, 2012

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Divagações sobre o amor – ou sobre mim.

É fato:
Eu me derramo demais quando amo
Excedo à mim mesma e vou tão além
Que chego a parecer ausente.
Eu causo em mim um grande tumulto.

Mas eu não procuro mais o amor.
O mundo é grande demais…
Quando ele quiser, me esbarra.

Fato:
É, repara_dor
Costura a ferida e lá em cima o nó desata.
Ninguém mais fica bobo de amor
Assim de mal-me-quer, bem-me-quer.
Basta a boca, o beijo, a fome, o gozo desenfreado.

Eu não.
Eu quero amor prá sempre.
(mesmo que seja curto, o sempre).

Fato:
Eu tenho tanto medo.
Você tem tanto medo.
De caminhar sozinho no meio de toda essa gente.
De entregar a alma, de misturar pronúncias.
Porque o amor é dois e fala línguas diferentes.

E eu derramo,
Horizonte vermelho contando estrelas.
Aquelas,
Que esqueci de amanhecer.

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Rayanne