Archive for dezembro \31\UTC 2008

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dezembro 31, 2008

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Eu sou uma mulher espantada
o amor me molha toda
me deixa com dor nas costas
ele diz no fundo gostas
no fundo ele tem razão

o amor tinha de ser
mais uma contradição
tinha de ser verdadeiro
confuso e biscateiro
como em toda situação

tinha de ter remorso
e um querer e não posso
e toda essa aflição
tinha de me dar pancada
e eu cantar não dói nem nada
com um radinho na mão

tinha de fazer ameça
que é pra poder ter mais graça
como toda relação
tinha de ser dolorido

rasgar um pouco o meu vestido
depois me pedir perdão
e como em todo melodrama
terminar na minha cama
até por falta de opção.

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Bruna Lombardi

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olha

dezembro 30, 2008

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dezembro 25, 2008

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Será que sabes, meu amor, que em mim algo amanheceu, que entre a tarde e a noite, não há sol que se ponha, não há mais escuro que vingue, que dentro dos meus olhos o dia não envelhece?

Será que adivinhas, amado meu, que enquanto dormes, meu sonho desenovela a noite e sua trama de estrelas para cobrir teu sono e fazer mais leve o tempo?

Será que ouves, meu amor, essa língua confusa que falam minha mão sobre teu peito, meus olhos fechados imersos no cheiro que tem a tua pele, meus dedos enredados em teus cabelos, essa língua que compõe, cada vez que te toco, uma nova música com uma nova harmonia por todo meu corpo?

Será que entendes, amado meu, que habitei com meus medos os mais terríveis precipícios e que teu olhar me lança pontes que eu nunca soube que pudessem existir?

Será que sentes, meu amor, que entre tuas mãos todas as minhas pétalas se abrem e posso encontrar vivo o perfume da minha terra e de todos os meus rios?

Será que percebes, amado meu, o amor imenso que te entrego todos os dias, misturado às coisas mais minúsculas, aos momentos mais pequenos, a cada gesto imperceptível?

E ainda que me digas que não, eu sigo te amando assim, sem ruído, delicamente, surpreendendo-me a mim a cada instante com a perfeição simples que se reinventa e multiplica, que nasce para ser tudo isso e a isso ser alheia e nem se dar a conhecer, porque simplesmente não precisa de mais nada além de si e de nós dois.

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Ticcia

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father and daughter

dezembro 24, 2008

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dezembro 23, 2008

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Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada”

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Ana Carolina

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poema de natal

dezembro 23, 2008
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Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos…
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos …
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver a noite ,dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai …
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte …
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas nascemos, imensamente.
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Vinícius de Moraes
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dezembro 23, 2008

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Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…

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Cecília Meireles