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poema de natal

dezembro 23, 2008
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Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos…
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos …
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver a noite ,dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai …
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte …
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas nascemos, imensamente.
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Vinícius de Moraes
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