Archive for dezembro \22\UTC 2008

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dezembro 22, 2008

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tão perto que tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com o meu sono.

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Neruda

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dezembro 22, 2008
 
 
 
 
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Tô relendo minha lida, milha alma, meus amores

Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores

Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores

Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho

Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho

Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho

Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho

Estou podando meu jardim

Estou cuidando bem de mim

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vander lee

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dezembro 22, 2008

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Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Nesse vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavra que digo escondem outras – quais? Talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo.

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Clarice Lispector


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dezembro 18, 2008

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Dois amantes felizes não têm fim nem morte,

nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,

são eternos como é a natureza.

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Pablo Neruda

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if only it were this easy

dezembro 15, 2008

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dezembro 15, 2008

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O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.

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adélia prado

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dezembro 15, 2008

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Amor meu,
me compreende,
te quero toda,
dos olhos aos pés, às unhas,
por dentro,
toda a claridade, a que guardavas.

Sou eu, meu amor,
quem golpeia tua porta.
Não é o fantasma, não é
o que antes se deteve
defronte da tua janela.

Eu ponho a porta abaixo:
entro em toda a tua vida:
venho viver em tua alma:
tu não podes comigo.

Tens que abrir porta a porta
tens que me obedecer,
tens que abrir os olhos
para que eu busque neles,
tens que ver como eu ando
com passos pesados
por todos os caminhos
que, cegos, me esperavam.

Não me temas,
sou teu,
mas
não sou o passageiro nem o mendigo,
sou teu dono
o que tu esperavas,
e agora entro
em tua vida,
para não sair mais,
amor, amor, amor.
para ficar.

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pablo neruda