Archive for fevereiro \25\UTC 2009

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fevereiro 25, 2009

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“A franja da encosta, cor de laranja, capim rosa chá…”

 

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fevereiro 22, 2009
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Me diz agora o que é que eu faço
desse meu amor
Como é que eu volto pra casa
Se minha casa agora é você
O que eu faço da minha história
e da tua dor
E de todos esses lugares comuns
de poesia pequena
de poeta pequeno
Lugares de tempos incertos
e almas errantes
Que sopram em meus ouvidos
estranhos vôos não autorizados
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fevereiro 20, 2009

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Quem o amor imagina, sem o conhecer,
não sabe o que perde quando imagina;
menos do que nada vale o saber
perante o que o coração nos destina.

Um rosto que se abre num sorriso
e limpa do céu todo o cinzento;
uns lábios que trazem loucura e siso
e na alma abrandam o mais alto vento.

Pode falar-se do que é o amor,
rodeá-lo de análises e teorias;
é como um cego a descrever a cor,

ou um surdo sonhando melodias.
Só quem ama conhece a verdade
em que a ilusão se faz eternidade.

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Nuno Júdice

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fevereiro 17, 2009

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As noites que não são contigo
eu não exatamente durmo
eu rolo,
Você não há
não há desenrolar de coxas, colchas
e entremeios.
Não há dobrar de joelhos
se não para rezar.
Então semeio
uma concórdia de lençóis
uma não solidão
de cafunés nos cangotes
uma não masturbação.
Adormeço
Você é o cheiro que ficou de nós
eu respiro pós
dos sonhos
eu latejo
eu planejo
eu oro.
As noites que não são contigo,
eu não exatamente durmo,
eu enrolo

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Elisa Lucinda

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fevereiro 17, 2009

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Deixa-me amar-te com ternura, tanto
que nossas solidões se unam
e cada um falando em sua margem
possa escutar o próprio canto.

Deixa-me amar-te com loucura, ambos
cavalgando mares impossíveis
em frágeis barcos e insuficientes velas
pois disso se fará a nossa voz.

Deixa-me amar-te sem receio, pois
a solidão é um campo muito vasto
que não se deve atravessar a sós.

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Lya Luft

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fevereiro 17, 2009

“Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir”

 

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fevereiro 17, 2009
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“Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem, pois nunca morou antes em ninguém, nem jamais lhe puseram redeas nem sela – apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come as vezes em minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez.”
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Clarice Lispector