Archive for maio \31\UTC 2009

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i feel you

maio 31, 2009

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maio 31, 2009

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É melhor
fechares
os olhos, meu
amor,
antes que o
mundo
inteiro seja um
incêndio.

 

Os ventos todos
fechados dentro
da minha mão.
Quantos ciclones
queres?

 

Procurava
nos outros a
ternura, mas
só encontrava
poços cheios
de ódio e
nitroglicerina.

 

Aquele
poema,
ao contrário
dos outros,
tinha pólvora.
só lhe faltava
o rastilho.

 

Éramos
rebeldes por
sistema, a sonhar uma
revolução por dia. À
tardinha, na esplanada,
bebiamos um
cocktail molotov.

 

O terrorista
apaixonado
carregava, às
escondidas,
uma bomba-
relógio. Era
no peito. Era o

 

Coração.

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José Mário Silva

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maio 31, 2009

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Não me interessa saber o que fazes para ganhar a vida. Quero saber o que desejas ardentemente, se ousas sonhar em atender aquilo pelo qual o teu coração anseia.

Não me interessa saber a tua idade. Quero saber se arriscarás parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo.

Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o âmago da tua dor, se as traições da vida te abriram ou se te tornaste murcho e fechado por medo de mais dor!

Quero saber se podes suportar a dor, minha ou tua; sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la. Quero saber se podes aceitar alegria, minha ou tua, se podes dançar com abandono e deixar que o êxtase te domine até às pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizeres para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos.

Não me interessa se a história que contas é verdade. Quero saber se consegues desapontar outra pessoa para ser autêntico contigo mesmo, se podes suportar a acusação de traição e não traíres a tua alma.

Quero saber se podes ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se podes buscar a origem da tua vida na presença de Deus, quero saber se podes viver com o fracasso, teu e meu e ainda, à margem de um lago, gritar para a lua prateada: Posso!

Não me interessa onde moras ou quanto dinheiro tens. Quero saber se podes levantar-te após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até aos ossos, e fazer o que tem de ser feito pelos filhos.

Não me interessa saber quem és e como vieste parar aqui. Quero saber se ficarás comigo no meio do incêndio e não te acovardarás.

Não me interessa saber onde, o quê, ou com quem trabalhas. Quero saber o que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona. Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente, gostas da companhia que tens nos momentos vazios.

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Jean Houston

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maio 31, 2009

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maio 31, 2009

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Eu odeio os momentos em que me aparece esse medinho idiota de você correr, de você amarelar e sumir . Porque eu sei que nesse ponto da nossa novela você inclusive gosta mais de mim do que eu de você, e você é, nos seus atos e jeitos e hábitos, tão mais disposto a se envolver que eu. Você dá mais passos que eu, você demarca mais território que eu (muuuito mais), você vem e chega tão mais que eu. Você se declara mais, elogia mais, se mostra mais. Você aparece de surpresa no bar em que eu tô bebendo com os amigos, e eu te acho tão mulherzinha por me aprontar uma dessa. Como diriam os meus amigos, você tem um inconsciente animus namorandi tão tão maior que o meu. E assim vai se envolvendo, e entrando na minha vida, na minha rotina, em mim. Se sentindo em casa na minha casa, passando o dia na minha cama. Dizendo “já sei, vamos passar o dia todo vendo TV na cama e você nem precisa ir pra esse churrasco”. Será que você sabe o quanto eu nunca diria isso? A mala no canto do meu quarto, a escova de dente a mais no armário do banheiro, seu lado na cama, sua cerveja na geladeira, sua toalha, seu isqueiro, seu stash, seu canto no sofá. Seu lugar na minha vida, tão determinado já.

A minha lógica, a minha memória, a minha cabeça no seu ombro, o meu corpo que já se acostumou a dormir abraçado no seu, o meu ouvido que reconhece a sua voz e a minha pele que reconhece o seu toque, esse negócio de pensar em você e o telefone tocar, e principalmente, a certeza que eu tenho da reciprocidade disso tudo… essas coisas me garantem que você não foge mais. Essas e muitas outras, mais práticas até… a minha ligação com os seus amigos (que já é tão independente de você), a sua ligação com as minhas amigas, a intimidade e o laço que criamos entre todos. “Às vezes parece até que a gente deu um nó.” Tudo isso me mostra que é tarde pra fuga e pra covardia, que já passamos dessa fase.

Mas o meu medo, os meus traumas, as minhas superstições, as queimaduras e cicatrizes que eu carrego e o conhecimento que tenho das suas (e dos seus medos e das suas covardias e traumas)… esses me fazem duvidar. Porque eu às vezes te vejo tão mais descrente e abatido e doente que eu. Como se fôssemos cachorros de rua que apanharam demais e ficaram ariscos, e não sabem aceitar carinho e cuidado.

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ventura

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maio 31, 2009

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Eu não tenho medo do amor.Eu tenho medo é de amar quem tem medo dele.Amar quem teme o amor é como se apaixonar por uma sucessão de desistências. É como viver apenas a possibilidade de algo, mas com a sensação de que ela nunca se estabelecerá.É ficar intranqüilo não com o amanhã, mas com os próximos minutos. Quem teme o amor vai embora antes de fazer as pazes com ele.Antes de saber que surpresas ele reservava. Quem teme o amor teme caminhar de mãos vazias em direção ao desconhecido.Está sempre baseado numa repetição do passado.E acha que a vida será como todos aqueles dias idos.Quem teme o amor não vê a pessoa que conheceu, não se dá a oportunidade de ser amado de outra forma.Quem teme o amor se envolve é com o drama de todas as feridas que vieram à tona porque ele não se permitiu ficar sozinho e confuso o suficiente para curá-las.Quem teme o amor não aprendeu a pedir ajuda nem a receber a cura do Universo.Ele se acha maior que o amor e não conjuga o verbo.Quem teme o amor consegue ser mais perverso do que quem o magoou.

 

Quem tem medo do amor , pra se preservar, não se permite delirar lindamente….e perde a parcela mais deliciosa que o amor prometeu….por medo de amar.
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Marla de Queiroz
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maio 31, 2009

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as vezes a vida me leva a crer que o amor é como aquele jazz que você gosta.

não segue as notas. é feito de encontros ao acaso. de espontaneidades dissonantes. de apertos de mãos. todo assim, meio desejeitadinho e corrido. as claves e semínimas anotadas com a caligrafia malfeita em guardanapos parecem cair da mesa. mas com o tempo e algumas afinidades, não é preciso mais anotar. porque a gente não consegue mais esquecer. aí, as notas dançam entrando no compasso e o mundo parece um lugar mais confortável para se estar.

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tiago yonamine