Archive for agosto \31\UTC 2009

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agosto 31, 2009

 

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“quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos. . . “

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agosto 30, 2009

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Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão define e desenha no teu rosto, uma boca escolhida entre todas as bocas, escolhida por mim com soberana liberdade para desenhá-la com a minha mão no teu rosto e que, por um acaso que não procuro compreender, coincide exactamente com a tua boca, que sorri por baixo da que a minha mão te desenha.
Olhas-me, de perto me olhas, cada vez mais de perto, e então brincamos aos ciclopes, olhando-nos cada vez mais de perto. Os olhos agigantam-se, aproximam-se entre si, sobrepõem-se, e os ciclopes olham-se, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam sem vontade, mordendo-se com os lábios, quase não apoiando a língua nos dentes, brincando nos seus espaços onde um ar pesado vai e vem com um perfume velho e um silêncio. Então as minhas mãos tentam fundir-se no teu cabelo, acariciar lentamente as profundezas do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de uma fragrância obscura.
E se nos mordemos a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, essa morte instantânea é bela. E há apenas uma saliva e apenas um sabor a fruta madura, e eu sinto-te tremer em mim como a lua na água.
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julio cortázar

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agosto 27, 2009

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agosto 27, 2009
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é, amor,
vai que seja de repente,
um hoje
assim como hoje,
eternamente,
nós dois frente a frente,
bem rente,
mais do que normalmente.
então, amor,
tente,
traga os cabelos
que eu tenho o pente;
pra distrair
o seu olhar,
uma lua cheia
e um sol poente.
venha, amor,
como se entra no mar,
entre;
de olho no olho,
dente no dente,
e as noites frias
se farão mais quentes,
enquanto inverna lá fora,
outros verão
dentro da gente.

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múcio l. góes

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agosto 27, 2009

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choveu
na pele
da pedra
deve ter até um furo
de tanto que
choveu
e o passaredo
se escondeu
sob suas casas…
e as mães
recolheram
as crianças
debaixo
de suas asas…
esperando,
esperando
tudo
isso
passar
só que, grasadeus,
a chuva cessa,
a lágrima seca
e o sol, finalmente,
se mete nesse céu
trazendo paz
e faz
todo esse aguaceiro
fugaz

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 j.f. de souza

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agosto 27, 2009

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vez por outra
ele vem:
mira minha roupa
(me prefere sem)
vez por outra
ele me encontra
eu sempre pronta
(ele só: alguém)
vez por outra
ele beija minha boca
como ninguém
e me faz bem
… vez por outra…

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sandra regina de souza

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agosto 27, 2009

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deixa-me chegar perto
feito vento, feito verso
e fotografar-te com os olhos
contar teus cílios
ver-me em tua íris.
deixa-me ser parte
ser objeto
ser escasso e ser excesso
transbordar dentro.
quero bagunçar o teu coreto
e gritar-te em praça pública.
quero ter-te à mesa
e comer-te quente
servir-te
em palco aberto
único paladar
à moda e à parte
deixa-me carnavaliz[arte]

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aline