Archive for setembro \30\UTC 2010

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setembro 30, 2010

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setembro 30, 2010

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setembro 29, 2010

 

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Felicidade é um reggae bom, curtido com folhas de bananeira, mel e aroma de flor. Tudo doce tal início de paixão que cisma em virar amor. E quando o sentimento aflora, tudo fica que nem cor de pôr do sol refletida no espelho de mar manso, de água quente e ondas suaves. É tudo assim tão doce e ameno. O som invade e eleva, fazendo com que a mente flutue sem muita umidade relativa do ar.

É verdade que nem sempre se pode encontrar um arco-íris no final do pote de ouro. Afinal, quem procura nas jóias o verdadeiro valor, fica cego com o dourado e não enxerga as tantas cores da aurora. Quanto brilho há no sol então? Nessa atmosfera nem sempre se pode ouvir gotas de orvalho beijando o solo. Assim não há como fertilizar o verdadeiro apego. A vida é a maior riqueza.

Não existe sonho perdido. Só para quem ainda não aprendeu a voar. Isso é fácil quando você tem o coração como amuleto. E ninguém toma, pois está dentro do peito atento, no compasso ideal. Me diz, há quanto tempo você não vê um cometa? Se você sempre abrir o guarda-chuva, não vai saber quando é gota d’água ou estrela cadente querendo lhe banhar.

Há tanto aroma na vida e, volta e meia, a brisa traz cheiro de fruta. O problema é quando o óleo queima e entope as nossas narinas. O capitalismo bebe a alma, um mal que não se pode ver. Mas, não cultive tristeza! Pra curar essa enfermidade é preciso pôr os pés descalços na areia e deixar a maresia envolver o corpo. Mergulha de cabeça na maré de positividade, se afogue na vida. Liberdade é banho de mar e despertador quebrado.

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bruno cazonatti

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setembro 29, 2010

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setembro 28, 2010

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Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para dentro de mim, pude esquecer-me na visão do seu movimento.

Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumavam – quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes da paisagem – uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar.

A minha mania de criar um mundo falso acompanha-me ainda, e só na minha morte me abandonará. (…) e alinho na minha imaginação, confortavelmente, como quem no inverno se aquece a uma lareira, figuras que habitam, e são constantes e vivas, na minha vida interior. Tenho um mundo de amigos dentro de mim, com vidas próprias, reais, definidas e imperfeitas.
(…)

Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!

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fernando pessoa

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setembro 28, 2010

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só quero morrer se for de saudades.
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josué mendonça
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setembro 28, 2010

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Carrego uma gaiola dentro de mim. Dentro da gaiola, o pássaro assustado.

De quando em quando, acordo de madrugada num pulo. É o pássaro chorando. Se sente sozinho. Sua tristeza me percorre, esfria o sangue, amolece as panturrilhas. Mas às vezes o meu susto é pelo seu trinado alegre. Geralmente me acorda nas manhãs de sol em que durmo até mais tarde.

O nome do pássaro é Algodão-doce.

Algodão-doce canta junto com a flauta na música, silencia ao som do violoncelo, dá cambalhotas com o xilofone e assobia os violinos.

Ele também carrega uma gaiola dentro de si, uma prisão, seu luto pessoal.

O seu luto é inverso – há liberdade demais entre minhas costelas.

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vanessa bencz