Archive for março \30\UTC 2011

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março 30, 2011

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março 30, 2011
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perfume

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vire essa folha do livro
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não se surpreenda
se uma outra mulher nascer de mim.
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jéssica richetti
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março 30, 2011

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Ao consumidor de meu amor®

Fui notificada de que meu amor® está infringindo a lei em vigor. A embalagem não traz prazo de validade. Ingredientes, idem, mas você sabe: meu amor®, é amor na forma bruta, sem aditivos, conservantes, sem maquiagem (corante, só o rubor da face – efeito desse amor que me consome). E não é propaganda enganosa esse amor genuíno e não perecível.

Meu amor® já teve sua qualidade testada – e aprovada. Está lá, visível e inviolável, a etiqueta “verificado”, que não deixa margem para dúvida. Portanto, o uso de meu amor® não coloca em risco sua saúde e segurança.

Meu amor®, íntegro, de peso e medida exatos. Ainda assim, foi confiscado do mercado. Meu amor®, fora de circulação, até que se corrija a irregularidade na embalagem: constar, no rótulo, data e componentes.

Talvez volte a circular, assim que eu souber – e puder informar – quando ele, meu amor®, expira. E do que ele, meu amor®, é constituído.

Até lá, amado consumidor, se imprescindível, faça uso de “meu amor¿” falsificado. Fabricado em larga escala por aí. Encontrado em qualquer beco. Amor, de origem duvidosa. Importe “I love you”, “Ti amo”, “Je t’aime”, “Ich liebe dich”…se não se importa com um autêntico Eu amo você.

Pátrio. Puro. Perene. Com garantia de qualidade, o meu amor®, ora estocado no peito.

Meu amor®, fora do padrão atual. Meu amor®, antiquado.

Irregular, segundo o comunicado.

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valéria tarelho

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março 29, 2011

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Vigília

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Não me feches as portas de ti, eu quero te conhecer por inteiro. Conhecer como um caseiro cúmplice de algum crime teu, como um mordomo culpado, uma governanta sedenta em tuas jóias.Eu quero saber as tuas passagens secretas, quero a combinação dos cofres de ti. Quero entrar por tuas portas, pelas tuas frestas, arestas e persianas.Eu quero arrumar os teus móveis, conhecer os teus tesouros. Quero a tua mobília rústica, forte, a que tu exibes na sala, e, também, a tua mobília gasta, sem verniz, que tu escondes no porão de ti, para que ninguém veja. Quero a tua porcelana chinesa que tu guardas no teu armário de cedro, quero os teus frágeis cristais quebrados que ocultas, quero cuidá-los e restaurá-los e colocá-los em uma redoma de mogno forte onde ninguém, nunca mais, os quebrará.Eu quero ler os livros que tu lestes, quero te traduzir.Quero todas as frases que te explicam, quero encontrar a tua foto amarelada pelo tempo, com cheiro de ontem, o teu primeiro poema quando tu ainda ensaiavas o amor.Eu quero te ler à beira da lareira,com música de anjos, cantando comoventes canções profanas e celestiais ,te contemplando e tendo como testemunhas o tinto do vinho e o aroma do café. Eu quero a tua prataria herdada e que tu cuidas com cuidados de mãe, quero cuidar do teu ouro envelhecido e protegê-lo da ganância cega dos pobres de alma.Eu quero ser o teu ourives.
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E se ainda assim, tu não me confiares a tua entrada, eu esperarei na calçada da tua porta, eu serei o teu indigente. Esperarei a tua visão acidental, ela será o meu veludo e com ela me embrulharei quando um frio me atravessar e fazer com que a minha carne se contorça. Eu trarei um quase-invencível conforto, onde deitarei até que tu me abras a porta.Mas , não te demores muito, que o frio é péssimo conselheiro, e nos diálogos que tive com ele, aprendi que, o amor pode debater-se e cansar-se, e tu perderias o vígia que jamais terás igual.
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Não demore muito.
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Nivandro Costa Vale
São Luís, 31 de março de 2007
01:45 da manhã
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junkie careta
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março 29, 2011

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A vida, esta vida que inapelavelmente, pétala a pétala,
vai desfolhando o tempo, parece, nestes meus dias,
ter parado no mal-me-quer.

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josé saramago

*é bem-me-quer no texto do Saramago, mas não é o modo desse momento.

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Thiago Pethit

março 29, 2011

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março 28, 2011

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Fui tomada por uma melancolia bossa nova. De tão triste, tô falando baixinho como João, soando em poucas notas, me reduzindo ao mínimo essencial, economizando vida pra me manter de pé. Hoje parece mesmo que tristeza não tem fim e o Tom repete isso ao meu ouvido enquanto as ruas de Porto Alegre se oferecem aos meus pés e sobre mim, estende-se o céu de outono que dói de tão azul. Mas do que serve a tarde? De que servem os ipês, o rio? Meus olhos estão impregnados do cinza de um inverno que chegou antes, bem antes e desfolhou árvores, matou a grama e vestiu o mundo com um sobretudo europeu de exílio. Tristeza dói e a dor é física, localizada no meio do peito, um pouco acima do estômago, como se dentro de mim morasse um abismo. De algum lugar Vinícius me diz que eu vou sofrer a eterna desventura da espera de viver ao lado teu e um choro seco, só de gritos e soluços, toma conta. Meus passos se aceleram na tentativa de fugir de mim e da minha tristeza, mas as esquinas nos fazem bater de frente. Meu dia é só mais um soneto, outro retrato em branco e preto que teimo em colecionar.
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ticcia