Archive for outubro \30\UTC 2011

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outubro 30, 2011

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outubro 30, 2011

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Aberta ao que a vida me dá,
Flertando com o que ela oferece.
Não quero roteiro, rasguei meu papel.
Improviso com aquilo que não sei.
Estou de caso com o acaso!
 
 
 
 
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Fernanda Gaona
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outubro 30, 2011

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Alecrim no meu jardim, girassol, botequim. Tem no canto daqui e não no canto de lá. Pôr do sol e coração, lápis e papel na mão. Sonho cor de quero mais. Dia a dia baticum, briga por motivo algum. Tem pimenta sim senhor. Cai a tinta lá no chão, pra que canto ela vai? Corre tudo de repente, inclina um lado, o outro sente. Um azul outro lilás.

 Bem do lado mais sapeca, ele insiste, ele pega. Prende a cor que quer pra si. Lá no outro calmaria, cama feita todo dia. Um amor, uma cor, uma paz.

 Qual navio vai chegar se no porto encontrar uma cor de carmesim? Eu não sei se é assim, mas sei que no canto de lá tem cais guardado pra mim.

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Lilian

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outubro 30, 2011

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Monção
 
Na minha nuca,
você suspira
e ensina o arrepio
à pele que arde,
libertina…
Então nos devoramos
sobre as ruínas do impossível,
enquanto o vento brinca
de ser música
para a lenta dança
das cortinas…
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 maria borges

 

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outubro 27, 2011

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Bordado de Garoa e Mar

Escolho as cores, recorto os tons. A luz que invade é poesia, as letras são de bailar. Seguro a mão da menina-mulher que vive através, do meu espelho.

O sorriso dela, reflexo do meu. Eu (em) ela – pelas mãos, que se encaixam. Uma apoteose de acordes em par, fazem palavras surgirem de dentro – em nós – que se embolam. Dançamos as letras-notas. A menina do anel-de-lua faz céu onde meu eu-estrela navega. Azul, que me afaga. Nela, os olhos de cais. Desembarco.

No fim do arco-íris tem o mar. Um mar de nós, de dedos que nunca se embolam. As ondas fazem hiato, de tempo; as ondas são a constância do desejo. Os olhos tem fome, e o tamanho do mar é tanto que já nem sei comê-lo. Devoro aos poucos as palavras que escorrem pela boca, melam os dedos, fazem soluço-de-riso.

[Suspendo a respiração, e de olhos fechados espero o próximo ato.]

Em ondas que lambem o inteiro, um lambuzar de cores. Um som de violão bêbado nascendo em meio aos ruídos monótonos. O riso-sorriso dela, ecoando em minhas pálpebras-borboletas. Visto coroa de guirlanda, princesa que brincava de ser, no faz-de-conta sinestésico. Felicidade, era a lei. E se um dia foi diferente, a noite, espiralada, não deixava ser. Virava tela, em cima da pedra mais alta.

Colho no ar umas bergamotas-de-poesia, eita coisa bôa que é lambuzar-se da palavra alheia! Sorvo seus existires, para que haja docêde, em mim (é que vós tens nome dôce!). Misturo o eu no tu, pra ver se desvira numa prosa bôa de ler, comer. Num desenho mágico, de bailar os olhos.

Começo a tecer um arremate pra nossa meada, e é com vontade de fazer um cachecol de dar volta no mundo todinho, que amarro o fio, picoto a linha, vejo nossa obra com olhos de sete-anos, sete-mares, três-marias: duas-metades.

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jaya magalhães viana

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outubro 24, 2011
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” Mas acontece que eu saí por aí, e aí … larari larari larará . . “
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Camburi – SP

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outubro 12, 2011

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Na certeza do sentimento

Desaprendo de mim e de qualquer circunstância que possa construir intervalos de nós dentro da gente. Que o outro não nos pertence, isso já se sabe, isso já se sente. Mas entender o que cada um aguarda e aceita, o que cada um intui e agrega, é coisa que só se aprende no ir além do tempo. No discorrer da saudade. Na pergunta que não se repete. Naquele silêncio genuíno que vai se copiando, se copiando, na ausência de quem realmente importa. Acho que é por isso que a vida atrasa o roteiro. Acho que é por isso que inventamos acasos e destinos. Por isso que inventamos essa falsa impressão de estreia, essa falsa sensação de recomeço. Mas no fundo, lá bem rente, o que a gente quer mesmo é o esquecimento. É outra coisa. É outra noite, outra história, outra insônia, outra dor revirando a rotina, outros versos.
Esquecer é uma urgência que só perdura na certeza do sentimento. É quando um pedaço nosso abre mão da gente. Não por descuido, mas, por reconhecimento.  Há que se ter paciência e muito, muito recolhimento. O esquecer, muito depois de doer, nos conecta ao que realmente somos. Apesar de, antes de e mesmo que não dure, ele nos lembra porque fomos, porque estamos, porque nos escolhemos e repousamos nossos sonhos neste pedacinho de caminho.
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Priscila Rôde