Archive for junho \21\UTC 2012

h1

junho 21, 2012

.

.

.

.

.

Cansei de falar de amor.

.

.

.

.

.

.

.

.

Anúncios
h1

junho 21, 2012

.

.

.

Receita de mulher

“Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se fechar os olhos, ao abri-los ela não mais estará presente com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá. E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber o fel da dúvida. Oh, sobretudo, que ela não perca nunca, não importa em que mundo, não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre o impossível perfume; e destile sempre o embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero; e em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.”

,

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Vinicius de Moraes

h1

junho 21, 2012

.

.

.

Bem – me – quero

Eu só queria me concluir aqui dentro, mas eu me lembro, sobrava tanta estrada. Era tempo de recomeços – tão começos, insubordináveis. Foi nesse pouco minuto tentado, incompleto, que incrustei as minhas pequenas porções de companhia com algum vazio pleno, e me escondi num olhar meio inteiro, meio meu, meio cheio de tudo.

Eu só queria alguma dúzia de dias seguintes pra ir vivendo, ir vendo, ir… sem me afogar na inteireza de qualquer coisa mais ou menos simples, mais ou menos triste, mais ou menos coisa – boba – que – intumesce – sentidos. Mas há um evento poético que insiste em humanizar a beleza de uma tristeza desacostumada. Eu só queria pousar de leve naquele escombro e empoeirar o amor por um tempo, mas, eu me lembro… e é tão perto de tudo lembrar quanto tempo ainda não perdemos.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
 
 
Priscila Rôde
h1

junho 19, 2012

.

.

.

.

.

Buquê de presságios

De tudo, talvez, permaneça
o que significa. O que
não interessa. De tudo,
quem sabe, fique aquilo
que passa. Um gerânio
de aflição. Um gosto
de obturação na boca.
Você de cabelo molhado
saindo do banho.
Uma piada. Um provérbio.
Um buquê de presságios.
Sons de gotas na torneira da pia.
Tranqueiras líricas
na velha caixa de sapato.
De tudo, talvez, restem
bêbadas anotações
no guardanapo.
E aquela música linda
que nunca toca no rádio.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Marcelo Montenegro

h1

junho 13, 2012

h1

junho 10, 2012

.

.

.

in: devaneios

Pouco a pouco,
inda agarro – me
nessa lonjura
que é não te ter dentro
dos meus monólogos…
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
 
Priscila Rôde
h1

junho 8, 2012

.

.

.

Dane-se

e pouco importa se existe um deus escrevendo errado em linhas tortas de caderno mal impresso ou se a bola de cristal já disse tudo ou ainda se os destinos estão mesmo marcados na palma da mão e na abóboda do céu e se o acaso e seus sabores não significam nada além do que tinha mesmo que acontecer e se estamos todos nos perguntando como será como será o amanhã para as cartomantes os controladores de vôo as moças de terno rosa o homem que vende flores o horóscopo do jornal o motorista do ônibus o astrônomo a mãe o psiquiatra e a 23o página de qualquer livro porque independente de quaisquer previsão praga destino probabilidade lendo teus bilhetes e os escritos velhos e o verso das fotos impressas e os antigos arquivos de blog uma coisa é muito certa definitiva verdadeira querendo ou não gostando ou não tendo peito para encarar ou não somos tu e eu. agora.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

cristiane lisbôa