Archive for setembro \22\UTC 2012

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setembro 22, 2012

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Abismo

E no fim, o que fica é uma
vontade de anular esse abismo
sem poupar mais um pouco de sorriso.
Por qualquer céu mais limpo
que ouse (re)pousar no ar:

recomeço,

que é pra ver se ele demora nos detalhes
pra ver se ele acorda n’outros mares
ver se ele carrega esses seus lugares
e esquece de ficar.

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Priscila Rôde

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setembro 19, 2012

cadê a frente fria pelamor?!

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setembro 19, 2012

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setembro 19, 2012

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Entregue ao vento

entregue
ao vento

qualquer coisa
que se possa
voar

pássaro
solto
a planar

planos
inclinados
a continuar

entregue
ao vento

felicidade
fugaz
e breve

um sopro
de vida
leve

e traga
de volta
teu alento
a encher meu peito

entregue
ao vento

que me arranque do chão
que me mande
então
pelos ares

que lance
minha barcaça
pelos
sete
setenta
ou mais
mares

que leve junto
a mensagem
posta em garrafas
de tantos bares

que me leve até
onde você está
que de outra forma não poderia alcançar

entregue
ao vento

pois
que leve
a tristeza

e que haja
leveza
que nos deixe
levar

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j.f. de souza

 

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setembro 19, 2012

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 Um vento, um tempo, um lugar. . .

Do vento mais antigo um gosto de chuva viva.
Acidez na saliva do tempo.
Meus pés: um rumo, muitos intentos.

Quantos pulos para ser feliz?

Do vento mais antigo
esta cicatriz de pouco aprendizado.
0 gosto, o cheiro, a rua,
O fruto nacarado.

O muro alto
O sem sentido

Tudo sempre no passado
Tudo sempre indo!
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lázara papandrea

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setembro 18, 2012

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Horizonte

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todo mundo
tem um ontem
tem um ente
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um outono
um instante
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um só poente
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para lembrar
ou enterrar
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valéria tarelho
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setembro 17, 2012

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sobre Paris, amor e Chico Buarque

Ninguém começa a escrever uma história sem saber o fim. Ninguém faz uma mala de lembranças sem saber o destino do coração. Ninguém joga na loteria sem saber das possibilidades da sua sorte. Ninguém chega a lugar nenhum sem dar o primeiro passo, seja direito, esquerdo, com azar ou dúvidas. Venho acumulando certezas das minhas teorias abarrotadas, certificando-me dos motivos para tanto irrealismo dessa minha imaginação malandra. O meio do caminho é o acaso, é a surpresa, o que muda nossos planos temporariamente e faz a gente crer na reviravolta do destino. Todo dia revejo como plano estratégico as mudanças irresistíveis ao sabor do vento dessa vida que tratei por tanto tempo a miúde. Já fui e voltei tantas vezes nesse caminho de mão única, sem ligar se ia me machucar por isso, se iria me sentir perdida, sem rumo, sem alguém para mim. Joguei o amor fora, voltei para a porta dele, sentei na calçada e fiz serenata. Abracei, dei tapas na cara – e quantos – fiquei de porre e disse que o odiava mais que tudo na vida. Bem que eu queria acreditar nas minhas palavras, mas nem isso consigo. Pode soar absurdamente estranho, mas minhas opiniões andam em círculos, meus sentimentos fazem montanha russa da minha lógica aplicada. “Sambar as letras de Chico Buarque é algo impossível para mim”. Repetia essa frase até mês passado, quando subitamente me afogava em goles de saudade, abraçava o mar que fazia companhia para os meus olhos na janela, lançava todas minhas certezas para o alto… Distorci irreparavelmente meu orgulho. Naquela tarde, naquele frio, daquele jeito que eu só conseguia dizer Tinha cá pra mim que agora sim eu vivia enfim o grande amor, Mentira¹ enquanto as lágrimas desprezavam o bom senso e bons modos. Eu não queria ser boa para mim, mesmo. Ah Chico, desculpe se ainda não tinha sentido isso que todos – suponho eu – que te aclamavam diziam sentir: amplitude da alma, companhia na multidão. Continuo divagando sobre o quanto a mesmice vem mudando. O que guardo na manga ainda de resposta para qualquer dúvida é que se comparasse o meu plano de futuro de um ano atrás com o de hoje, era melhor desistir de planejamentos e remexer todas as trilhas até chegar a um fim. Um café, muitos livros com cheiro de novos, uma sensação boa de mente fresca e Paris, por que não? Dizem que lá os amores são eternos, a estação é sempre primavera, a cidade é sempre Luz! Por que não acreditar? Digo, em algo eterno no fim de tantos desvios. Sei por onde começo, sei onde quero chegar. O que encontro até lá é que não dá pra precisar, mas digo, é sempre preciso ter um bocado de fé no bolso que o resto a gente carrega no sorriso.

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Beatriz Marques

¹ samba do grande amor – chico buarque

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