Archive for novembro \07\UTC 2012

h1

novembro 7, 2012

.

..

.

.

.

.

.

Não se apresse não. Quando é amor mesmo, o eterno fica assim: ajustável. Veste bem o pensamento, aquece qualquer pé de tempo, se estica na beira da praia.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Priscila Rôde

Anúncios
h1

novembro 6, 2012

..

.

.

.

.

Estrada entre vírgulas

A cor do som que faz
Tua alma ficar em paz
Colore minha primavera
E a nuvem – gota de orvalho
Bagunça a imagem que entalho
Da vida que não me espera.

O vento sobre o cabelo
Sussurra sem qualquer zelo
Segredos do fim de tarde
Desnuda meu céu inteiro
Acende, tal qual braseiro
E em mim vira tempestade.

E a Lua, de sobressalto
Pergunta-me lá do alto
“Que vida queres viver? –
Ser rei de todo esse mundo
Almejar o poder a fundo
Ou basta sentir prazer?”

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Thuan Carvalho

h1

novembro 4, 2012

.

.

h1

novembro 3, 2012

.

.

.

.

Do desencontro

por um instante curto e valioso acreditei ter ganhado um prêmio que sempre pensei merecer. busquei adjetivos que denominassem minha nova condição, fiz planos a médio prazo e sorri vitoriosa com meu encontro tão desejado. visualizei a confusão se afastando, as noites afoitas se despedindo e me aqueci com tão novo calor. assumi, então, que o esperava pronta e bem vestida, sabendo que em uma escura noite ele aconteceria e eu o reconheceria em meio a profusão de acontecimentos que vinha sendo minha rotina de pessoa que procura. já me imaginava coberta de razões, contente por ter sido atendida em meus desejos não confessados. comecei a me preparar para abandonar os gritos e a felicidade passageira a qual me entregava com prazer. sem arrependimentos pelo corpo, sem ter deixado nada para trás e tendo feito absolutamente tudo o que a mim coube, me percebi pronta e decorei um nome só que repetia sem parar por achar bonito e sonoro. me convenci sem maiores esforços a me deixar ser costurada, obstruindo minhas saídas e guardando em mim um rosto só, um único cheiro e motivo. estava decidido, meu amor finalmente exerceria sua função e eu seria adulta e feliz. fui fechando os cortes, dando fim aos restos, apagando mensagens e esquecendo segredos antigos – abrindo espaço para a novidade que eu havia abrigado. passei a desenhar corações no espelho embaçado do banheiro, escrevi seu nome com caneta azul em minha mão, fiz o desenho de seu cabelo em um papel branco que guardei debaixo do travesseiro pra poder dormir em segurança. não posso garantir que não inventei mais uma mentira ou imagem apenas pra passar o tempo enquanto não adormeço. não me conheço tanto assim, apenas me entrego aos riscos na intenção de encontrar algum conforto. o que existe de real é que optei por encurtar o caminho e me perdi, afastando qualquer promessa aconchegante. com o passar dos dias observei a destruição decadente de meus planos pueris. entendi que você nunca existiu em lugar algum além de dentro de mim, onde ficará até que eu mesma me perdoe e me liberte dos estragos. te guardo quente e não deixo ninguém manchar sua reputação, te defendo pelo que me trouxe. sinto-me tola por ter cometido o engano de acreditar em um novo e desejado incêndio, mas não troco esta dor pelo vazio de antes. o não-amor dói, mas doía mais quando eu desconfiava não ser capaz. talvez eu mereça essa gentileza pela metade. encontrei maneiras de viver de longe o amor que suspeitei. adaptei meu corpo e meu olhar, te espio em segredo e espero sem esperar realmente. na prática tudo está igual: a rua, as pessoas erradas, os exageros e a falta de finalidade das noites que sempre terminam. mas te escondi dentro de mim e bem baixinho converso com você e invento suas respostas que, invariavelmente, me fazem sorrir e viver mais. faço de conta que você saiu pra comprar os jornais do dia e se distraiu no caminho, e que há de voltar no meio de uma noite inesperada. o amor é uma violência que combina comigo, por isso nunca desisti de esperá-lo. eu quero o amor que mata.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Ivana Debértolis
h1

novembro 3, 2012

..

.

.

.

.

.

.

.

.

♫ Baby, baby, eu sei que é assim . . . ♪♫

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

h1

novembro 3, 2012

..

.

.

.

.

.

.

.

No Espaço do Não- Limite

Ele me chamou para o jogo e eu não tinha a rainha. Ligou o som e se virou cantarolando pra mim: ‘Give me one reason to stay here and I’ll turn right back around’. Mal sabia que eu já estava outorgada e não via outro motivo, além disso já ser um motivo, para convencê-lo a ficar. Eu nada tinha a oferecer a não ser umas curvas arredondadas e escorregadias acompanhadas de algumas frases feitas. Apenas uma garota clichê com sorrisos prontos e músicas pop. Tudo que eu precisava naquele momento era que ele me desse uma experiência através dos riscos nas paredes e explosões não terroristas. Sem nomes, meu amor, detesto nomes, disse o Marlon Brando. Era dele o tabuleiro, mas não me negava a brincadeira e me cantava com ‘because I don’t want to leave you lonely’. Era esse o ponto. Quando levantei, ele já me tinha pelas mãos na cintura. O embalo era tão sísmico que me abalou em tremores não mensuráveis. De olhos fechados, eu não respondia mais por movimentos, atos ou roupas no chão. Sentia o balanço e o preenchimento de todo meu leave me lonely. A cabeça pendendo sobre nós no centro-limite em que um corpo ainda não era outro, embora já fôssemos apenas um no universo, não no coletivo e infinito, que também é mundo, mas naquele nosso, bem mais mundo que todos aos quais poderíamos pertencer. Perdemos o tempo do tempo. Enrolamos-nos no chão até que nosso mapa mundi fosse do meu ao dele em apenas um oceano de suor e vulcões-poros em plena erupção. Estava ali, no tapete, he’s reason to stay. Você consegue ver – ele disse – que onde me começo te termino e que não há mais espaço para ser você mesma em você? Não me saiu um sussurro sequer. Dizem que esse é o silêncio-sinal. Foi ali, bem ali, que percebi.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Samantha Abreu
h1

novembro 2, 2012

.

..

.

.

.

.

Venta,
sopra por aqui um cheiro de ontem
primavera mostra que é hoje,
vontade de encher de florzinhas
o emaranhado dos cabelos,
molhar de beijos a pele,
cantar no ouvido a mesma bossa,
que deixou na minha vida.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
leila silveira