Archive for the ‘ada lima’ Category

h1

fevereiro 2, 2011

.

.

.

Uma ninfa e um marujo
habitam em mim.

Sinto fome
de algo
que não tem nome.

Tenho sede
de coisas inexistentes
que vivem nas pontas dos meus dedos
palpitantes
e suados

como alguém em derradeira agonia.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

ada lima

Anúncios
h1

novembro 26, 2010

.

.

.

.

.

.

Quero a leveza
das mãos invisíveis
que suspendem os pássaros.
.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

ada lima

h1

novembro 3, 2010

.

.

.

.

Dois destinos passam diante de mim.
O que parece cômodo e sensato e o que é só uma esperança alva no meio da chuva. Dúvida. Uma cócega incômoda desafiando a intuição.
Uma só pergunta, todas as respostas do mundo rindo de mim.
Não são os outros, sou eu. Novamente.
.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

ada lima

h1

junho 28, 2010

.

.

Gênese

Poesia se nasce sozinha
de uma raiz enxerida
que cresce num canto do peito.
Se enlaça nas veias do corpo,
se espalha sozinha, em silêncio,
se enrosca nos dedos das mãos,
se espraia no vão do papel,
se mostra na tela em branco.
Surpreso, o poeta se encanta
tamanha a beleza expressada;
ou chora, por ter libertado
palavras sem brilho, sem graça.
O fato é que, triste ou contente,
não pode conter as ramagens
que nascem de dentro de si.
Às vezes se escondem, se encolhem
sem nem avisar o poeta,
que fica, tadinho, achando
que aquela raiz se soltou,
que a erva murchou ou secou.
Até que ela volta. Ressurge
tão forte, altiva e bonita,
ou feia, tortinha, esquisita.
Mas sempre será a poesia
crescida do peito do incauto,
que, mesmo cansado da planta
que cresce sem dó em seu corpo
e enterra raízes na alma,
jamais se verá livre dela:
poesia, essa planta encantada.
.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

ada lima

h1

junho 22, 2010

.

Não é por ser vingativa
que guardo na bolsa
cacos de paixão:
quem
além de mim
eles podem ferir?

Ouço Amy cantar que
o amor é um jogo perdido
enquanto contemplo
pedaços do meu rosto
nos estilhaços
espalhados no chão
e me convenço:

não quero a loucura que me mantém viva.
A outra é mais sábia.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

ada lima

h1

junho 22, 2010

.

Carta

Amor
escrevo
para agradecer o favor.

Hoje
sou a mulher que querias
a pândega que brinca
sem vergonha
entre os homens dos bares
e os homens dos mares.

Não quero mais babados
nem fados.
Prefiro quebrar os saltos
ao som do rock mais pesado.

Mas
ainda guardo (por pouco tempo)
teu riso idiota
teu dedo em riste.
Aquela noite
fiz teu retrato a nanquim para rasgá-lo
mas preferi retocá-lo
com deboche.
Mando-o amanhã
pelo correio. Anexa
vai a foto da minha nuca
marcada por dentes mais fortes e belos
que os teus.

Não me procures:
partirei no próximo navio.
.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

ada lima

h1

junho 5, 2010

.

.

Como eu queria
passar um dia
dentro de ti

para saber
onde me guardas
se é que me tens…

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
ada lima