Archive for the ‘lázara papandrea’ Category

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setembro 19, 2012

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 Um vento, um tempo, um lugar. . .

Do vento mais antigo um gosto de chuva viva.
Acidez na saliva do tempo.
Meus pés: um rumo, muitos intentos.

Quantos pulos para ser feliz?

Do vento mais antigo
esta cicatriz de pouco aprendizado.
0 gosto, o cheiro, a rua,
O fruto nacarado.

O muro alto
O sem sentido

Tudo sempre no passado
Tudo sempre indo!
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lázara papandrea

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junho 6, 2012

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À porta, deu-se o encontro. Eu saia, tu chegavas mundano.
-Não venhas tarde querida!
Notei que o pedido não mexera com o estático dos teus olhos.
Nenhum fogo de artifício, nenhuma lua, nenhuma estrela,
nenhuma esquiva ternura acalorara aquela cena.
Nenhum fica comigo, nenhuma rosa vermelha!
Entretanto, o beijo veio maior que o combinado pelos gestos.
-Eros não se fazia morto-
Quase não fui. Mas, não ir era tão torto!
Saí com a boca latejando um gosto de lua crescente e te deixei
com um olhar abismado sem poder entender
porque eu, inconsequente, pulava assim o instante da magia,
escorregava como lesma fria para fora da casca e ia…
Simplesmente ia sem rumo, sem norte, sem casa,
levando um riso do que não foi no descabido da face.

[deu gosto ver que não me entendias e eu me diverti assim, confundindo tuas pestanas frias justamente quando elas se afogueavam. Era minha promessa: nunca me deixar apanhar por uma destas horas que se entrega a vida por uma golfada de ar. Para ficar eu precisava de algo como uma dor dilacerante, uma dor que que me desse a ilusão de que o amor não é só essa tolice que se abrasa vez em quando e se perde na sua própria esquisitice. Para eu ficar era preciso uma explosão de mil sóis. Era imprescindível girassol!]

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lázara papandrea

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março 3, 2012
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Descaminhos
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Você me lembra
dias de vitrine e asfalto
de sol enroscado às manhãs
feito gato preguiçoso.
Um dia ocioso
um domingo estendido na praia
40 graus no Leblon
um gozo
horas vadias
rabo-de-saia
saída-de-praia
descompromisso
batom
chinelo-de-dedo
filme no flamengo
uma música de Tom.
Um vai vivendo que eu já me vou tarde amor!

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Lázara papandrea

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janeiro 31, 2012

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Eu te amo

Eu te amo é um sujeito que mora
no desvão de um poema
que não se pode ser,
e teima!

Eu te amo era para ser flor.
Era para ser uma açucena!
E é comigo-ninguém-pode:
que pena!

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Lázara Papandrea

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novembro 17, 2011

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Solidão

Do vento mais antigo um gosto de chuva viva.
Acidez
na saliva do tempo.
Meus pés: um rumo,
muitos intentos.
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Quantos pulos para ser feliz?
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Do vento mais antigo
esta cicatriz de pouco aprendizado.
0 gosto, o cheiro, a rua,
O fruto nacarado.
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O muro alto
O sem sentido
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Tudo sempre no passado
Tudo sempre indo!
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lázara papandrea
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setembro 1, 2011

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Inocência Perdida

Escapa-me a palavra
com a qual eu revestia
as cavas do ontem.
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A menina
que brincava com a rosa
viajou
[e não me perguntem para onde foi]
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Escapa-me a palavra
de dizer saudade e inocência
E só digo oi.
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A vida vela esta ausência
de onde escorre-me
o indecifrável.
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A oca língua da infância
nesta fuga azul e impalpável
faz chover o céu-da boca .
Faz chorar o impermeável!

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Lázara papandrea
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julho 21, 2011

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Faz tempo
não aliso o vento
da tua boca
com os dedos dos meus absurdos

Faz tempo
esqueci-te no fundo
do céu azul
de uma tarde de maio
e nunca mais o vi
falsear gaivotas
com os olhos

Faz tempo
voaram as marquizes
e os guarda-sóis
E fiquei torta da vida
sob estes lençóis
e estes abrolhos
de não te quero mais.

Faz tempo
era um cais e uma ilusão!
E eu amava
correr pelas escadarias do teu silêncio
mesmo sem poder te dar as mãos

Faz tempo não ando louca
à cata de teus dedos
e nem espreito
pelos desvãos da tua boca
aquele sonho que me era flor!

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lázara papandrea