Archive for the ‘Paulo Leminski’ Category

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agosto 27, 2011

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Blade Runner Waltz

Em mil novecentos e oitenta e sempre,
ah, que  tempos aqueles,
dançamos ao luar, ao som da valsa
A Perfeição do Amor  Através da Dor e da Renúncia,
nome, confesso, um pouco longo,
mas os tempos, aquele tempo,
ah, não  se faz mais tempo
como antigamente
Aquilo sim é que eram horas,
dias  enormes, semanas anos, minutos milênios,
e toda aquela fortuna em tempo
a  gente gastava em bobagens,
amar, sonhar, dançar ao som da valsa,
aquelas  falsas valsas de tão imenso nome lento
que a gente dançava em algum  setembro
daqueles mil novecentos e oitenta e sempre.

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paulo leminski
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Anúncios
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junho 10, 2010

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tudo em mim
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu

tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas

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paulo leminski

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maio 29, 2010

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este mundo está perdido
disperso entre o escrito
e o espírito ruído
entre o físico e o químico
flui o sentido, líquido

viver é grande
porque eu sinto tua falta
já que arrasto por aí
esse falso ainda
minha alma torta
e a falta faz que vai
mas volta
no meio da ida e da vinda
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paulo leminski
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abril 1, 2009
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sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa



Paulo Leminski
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dezembro 15, 2008

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Amor meu,
me compreende,
te quero toda,
dos olhos aos pés, às unhas,
por dentro,
toda a claridade, a que guardavas.

Sou eu, meu amor,
quem golpeia tua porta.
Não é o fantasma, não é
o que antes se deteve
defronte da tua janela.

Eu ponho a porta abaixo:
entro em toda a tua vida:
venho viver em tua alma:
tu não podes comigo.

Tens que abrir porta a porta
tens que me obedecer,
tens que abrir os olhos
para que eu busque neles,
tens que ver como eu ando
com passos pesados
por todos os caminhos
que, cegos, me esperavam.

Não me temas,
sou teu,
mas
não sou o passageiro nem o mendigo,
sou teu dono
o que tu esperavas,
e agora entro
em tua vida,
para não sair mais,
amor, amor, amor.
para ficar.

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pablo neruda

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outubro 18, 2008
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sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa
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paulo leminski
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setembro 24, 2008

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Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

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Paulo Leminski