Archive for the ‘Vinícios de Morais’ Category

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junho 21, 2012

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Receita de mulher

“Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se fechar os olhos, ao abri-los ela não mais estará presente com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá. E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber o fel da dúvida. Oh, sobretudo, que ela não perca nunca, não importa em que mundo, não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre o impossível perfume; e destile sempre o embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero; e em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.”

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Vinicius de Moraes

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julho 10, 2010

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Silêncio

É o amor que te fala
É o amor que se cala
E que despetala
A flor do silêncio. .
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vinícios de morais
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março 10, 2010

 

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Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos,
ao abri-los ela não estará mais presente, com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber o fel da dúvida.
Oh, sobretudo, que ela não perca nunca, não importa em que mundo,
não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro;
E que acariciada no fundo de si mesma,transforme-se em fera sem perder sua graça de ave.

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vinícios de morais

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poema de natal

dezembro 23, 2008
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Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos…
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos …
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver a noite ,dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai …
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte …
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas nascemos, imensamente.
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Vinícius de Moraes
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dezembro 4, 2008

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Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada.

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Vinícios de Morais

(a única pessoa que conseguiu amar mais nessa vida dq eu)